Empresas provedoras de internet têm sido forçadas a encerrar suas atividades em diferentes bairros da Região Metropolitana do Rio de Janeiro diante da atuação de grupos criminosos que exigem pagamento para permitir a continuidade dos serviços.
Levantamento feito por uma empresa do setor aponta um avanço desse tipo de prática em diversas cidades. Em Magé, ao menos quatro bairros foram afetados, enquanto Rio Bonito e Tanguá registram dois e um locais impactados, respectivamente. Em São Gonçalo, cerca de 27 bairros ficaram sem atendimento. Já Niterói concentra o maior número de áreas atingidas, com aproximadamente 30 regiões sem serviço.
Além da interrupção das operações, empresas também relatam episódios de violência. Em Niterói, um veículo foi apedrejado no bairro de Várzea das Moças. Moradores dessas regiões, segundo relatos, acabam sendo obrigados a contratar serviços de internet controlados por criminosos.
Casos semelhantes foram registrados na Baixada Fluminense. Em Paracambi, no bairro de Lages, um carro de uma provedora foi incendiado, ação que foi flagrada por câmeras de segurança. O empresário responsável denunciou o caso e apontou um integrante de facção criminosa como mandante, alegando que o ataque ocorreu após a recusa em pagar taxas ilegais para operar.
No dia seguinte, outro veículo, desta vez de uma empresa de manutenção, também foi alvo de criminosos no bairro do Sabugo, na mesma região, sob a mesma motivação. Empresários identificaram um suspeito conhecido como “Russo” como possível articulador das ações.
A recusa em ceder às exigências tem gerado retaliações em outras áreas dominadas por grupos criminosos. Em Japeri, por exemplo, um escritório de empresas de internet foi incendiado, causando danos significativos, segundo testemunhas.
O cenário evidencia o avanço do controle territorial por organizações criminosas, que além de restringirem a atuação de empresas legalizadas, passam a explorar diretamente serviços essenciais para a população.