Quase dez anos após o assassinato da pedagoga Rosemary de Souza Pinto, a Justiça condenou o ex-marido da vítima, Francisco Ângelo Saboia, a 27 anos de prisão. O julgamento foi concluído na noite da última quarta-feira (13), após dois dias de sessão do Tribunal do Júri.
Rosemary tinha 52 anos e foi morta em 26 de janeiro de 2017, na porta da escola da família, localizada na Rua da Liberdade, no bairro Marambaia, em São Gonçalo. Segundo o processo, dois homens chegaram ao local em uma motocicleta e efetuaram os disparos contra a educadora. Ela chegou a ser levada ao Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, mas não resistiu.
De acordo com a acusação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Francisco foi apontado como mandante da execução. A investigação sustentou que ele teria fornecido uma pistola calibre 9 milímetros a dois homens contratados para cometer o crime. A motivação estaria relacionada a disputas patrimoniais e conflitos pessoais após o fim do casamento.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e emboscada. Além da condenação, a Justiça determinou que Francisco fosse preso imediatamente e negou a possibilidade de recorrer da sentença em liberdade. A defesa apresentou pedido de habeas corpus alegando questões de saúde, que ainda deverá ser analisado.
Investigação apontou arma ligada ao ex-marido
No início das apurações, a Polícia Civil chegou a trabalhar com diferentes linhas de investigação. Com o avanço do caso, porém, os indícios relacionados aos conflitos familiares ganharam força.
Francisco foi preso em abril de 2018 durante a Operação Prova Concreta, realizada pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Segundo os investigadores, a arma utilizada no assassinato pertencia ao ex-marido de Rosemary. Também foram reunidos relatos sobre ameaças anteriores e indícios da contratação de terceiros para executar a vítima.
A condenação encerra uma longa espera da família por uma decisão judicial sobre o assassinato que, desde 2017, mobilizou parentes, funcionários e alunos da escola onde Rosemary trabalhava.