Uma denúncia sobre corte irregular de árvores resultou em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e terminou com a prisão em flagrante de dois homens por crimes ambientais em Itaboraí. A ação foi realizada em uma Área de Preservação Permanente (APP), no bairro Sambaetiba, onde foram constatados desmatamento de vegetação nativa e indícios de danos ao meio ambiente.
A operação ocorreu na quinta-feira (25) e foi conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Itaboraí, com apoio do Grupo de Apoio aos Promotores (GAP/MPRJ). A investigação teve início após uma denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público, que relatava o uso de motosserra para derrubada de árvores na região.
Durante a fiscalização, os agentes encontraram uma área de vegetação nativa já degradada na Rua A, em Sambaetiba. No local, também foi identificada uma nascente cujo curso natural estaria sendo modificado com a instalação de manilhas.
Segundo o MPRJ, os suspeitos realizavam a retirada da vegetação sem autorização dos órgãos ambientais e sem licença para uso de motosserra. Agentes do Comando de Polícia Ambiental confirmaram que o terreno fiscalizado está em área protegida e que as árvores cortadas eram de espécies nativas.
Moradores e comerciantes da região relataram às autoridades que a retirada de madeira vinha ocorrendo há mais de um mês. De acordo com testemunhas, cerca de 60 caminhões carregados de madeira teriam deixado o local nesse período. As informações serão apuradas no decorrer da investigação.
Durante a operação, foram apreendidos uma motosserra, um facão, um machado e uma corrente de motosserra. Os agentes também identificaram uma retroescavadeira utilizada na área, que foi registrada para adoção das medidas administrativas e investigativas cabíveis.
A ação contou com apoio do 35º Batalhão da Polícia Militar, do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente, da Polícia Civil e de peritos responsáveis pela análise técnica dos danos ambientais.
Os dois homens receberam voz de prisão e foram levados para a 71ª Delegacia de Polícia, onde foi lavrado o auto de prisão em flagrante. Eles foram autuados com base na Lei de Crimes Ambientais, por destruição de vegetação protegida, poluição ambiental e execução de atividade potencialmente poluidora sem licença ou autorização.
O promotor de Justiça Tiago Veras destacou que a atuação integrada dos órgãos de fiscalização é essencial para coibir crimes ambientais e responsabilizar os envolvidos. Segundo ele, o desmatamento em áreas de preservação permanente compromete a biodiversidade, afeta recursos hídricos e gera impactos para a população atual e para as futuras gerações.
O Ministério Público informou que seguirá atuando para garantir a responsabilização dos suspeitos e a recuperação dos danos causados ao meio ambiente.