As praias de Niterói registraram 100 ocorrências envolvendo tartarugas marinhas entre 1º de janeiro e 30 de julho de 2026. Desse total, 91 animais foram encontrados mortos e apenas nove estavam vivos, segundo dados do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Os números chamam atenção para a pressão exercida sobre o ambiente costeiro. Entre os fatores relacionados à morte ou ao enfraquecimento das tartarugas estão o emalhamento em redes de pesca, a ingestão de resíduos sólidos e colisões com embarcações.
Um dos casos recentes ocorreu na Praia da Eva, em Jurujuba, onde uma tartaruga-verde juvenil foi encontrada morta no dia 26 de julho. O animal estava com um pedaço de plástico preso à boca. Apesar da situação levantar suspeitas, especialistas destacam que somente uma avaliação veterinária e uma necropsia poderiam determinar se o material teve participação direta na morte.
Charitas lidera número de registros
Entre as praias do município, Charitas concentra 19% dos encalhes de tartarugas mortas, seguida por Piratininga, com 16%, e Boa Viagem, com 15%. A região da Baía reúne parcela significativa das ocorrências, cenário que pode estar relacionado à intensa movimentação de embarcações, pesca, ocupação urbana e presença de resíduos, além da própria dinâmica das correntes marítimas.
A tartaruga-verde é a espécie mais encontrada em Niterói, representando cerca de 87% das ocorrências. Aproximadamente 95% dos animais registrados são juvenis, indicando a importância do litoral da região como área de alimentação e desenvolvimento da espécie.
Apesar do elevado número de mortes, o total geral de tartarugas encontradas neste ano caiu em relação a 2025. Entre janeiro e julho do ano passado foram contabilizados 157 registros, contra 100 no mesmo período de 2026, uma redução de aproximadamente 36,3%. Especialistas alertam, porém, que oscilações anuais podem estar ligadas a fatores como correntes marítimas, ventos, marés e condições climáticas, não sendo possível concluir que as ameaças diminuíram.
Pesca representa uma das maiores ameaças
A captura acidental em equipamentos de pesca continua sendo um dos principais riscos para as tartarugas marinhas. Os animais podem morrer afogados ao ficarem presos nas redes ou sofrer danos que provocam complicações mesmo depois de conseguirem escapar.
O problema já provocou ocorrências graves no litoral de Niterói. Em 2025, 16 tartarugas-verdes foram encontradas presas em uma chamada “rede fantasma” na Praia de Itacoatiara. No mesmo ano, 15 tartarugas foram encontradas mortas em Camboinhas.
O que fazer ao encontrar uma tartaruga
A orientação é que moradores e banhistas não removam nem devolvam ao mar uma tartaruga encontrada debilitada na praia. O recomendado é manter distância, deixar o animal protegido e acionar uma equipe especializada.
O atendimento para ocorrências com animais marinhos na região pode ser solicitado pela central de resgate pelo telefone 0800-999-5151. Sempre que possível, a orientação é informar a localização exata e encaminhar uma foto do animal para facilitar o atendimento.
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