As mortes de duas irmãs adolescentes, de 16 e 14 anos, com sintomas semelhantes em um intervalo de 24 dias mobilizaram autoridades de saúde e a comunidade escolar do bairro Pacheco, em São Gonçalo. A causa dos óbitos ainda não foi identificada.
As duas jovens estudavam no Colégio Estadual Augusto Cezário Diáz André e, antes de morrerem, apresentaram sintomas como dor de garganta, febre, diarreia, vômito, dor abdominal e tontura.
A adolescente de 16 anos procurou atendimento na Unidade Municipal de Pronto Atendimento do Pacheco no dia 26 de julho. Ela foi transferida no mesmo dia para o Hospital Luiz Palmier, onde morreu em 29 de julho.
Já a irmã, de 14 anos, recebeu atendimento na UPA do Colubandê e morreu no último sábado, dia 22.
Outras duas crianças estão internadas
Além das duas adolescentes, outras duas crianças da mesma família, de 3 e 6 anos, foram internadas no Pronto Socorro Infantil de São Gonçalo. Segundo as autoridades municipais, elas apresentam sintomas semelhantes aos registrados nas irmãs.
Apesar da coincidência dos quadros, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que ainda não existe um diagnóstico conclusivo e que também não há confirmação de que os dois óbitos tenham sido provocados pela mesma causa.
Um exame de sangue da adolescente de 14 anos foi encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, o Lacen, na segunda-feira (24). A previsão informada é de liberação do resultado em até sete dias úteis.
Até o momento, nenhuma hipótese foi oficialmente confirmada ou descartada pelas autoridades.
Escola passou por sanitização
Diante da situação, a Vigilância Ambiental de São Gonçalo realizou na quarta-feira (26) uma sanitização no Colégio Estadual Augusto Cezário Diáz André.
As aulas também foram suspensas naquele dia por determinação da unidade escolar e retomadas posteriormente, segundo informações fornecidas pelas secretarias estaduais.
A Secretaria Estadual de Saúde, entretanto, informou que não existe até o momento indicação técnica para suspensão das atividades escolares nem necessidade de um procedimento extraordinário de desinfecção.
A pasta ressaltou que as medidas adotadas têm caráter preventivo e não significam que as mortes tenham sido relacionadas a alguma doença contagiosa.
Vacinação e acompanhamento da comunidade escolar
Equipes de saúde também organizaram ações para verificar a situação vacinal de alunos e profissionais da escola.
A Prefeitura de São Gonçalo informou que está prevista para sexta-feira (28) uma mobilização com vacinas disponíveis no calendário de rotina dos adolescentes. A aplicação dependerá de autorização dos responsáveis e da avaliação das cadernetas de vacinação.
O Estado também informou sobre uma ação preventiva de vacinação e reforçou que a iniciativa não representa confirmação de doença imunoprevenível como causa das mortes.
Casos provocam preocupação entre famílias
A situação gerou apreensão entre responsáveis por estudantes da unidade. Alguns pais disseram que preferem aguardar mais informações antes de enviar novamente os filhos à escola.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que mantém acompanhamento epidemiológico dos familiares das adolescentes, de pessoas que tiveram contato com elas e da própria comunidade escolar.
A unidade de ensino também foi orientada a comunicar imediatamente o surgimento de novos casos com sintomas compatíveis com doenças transmissíveis.
Entre as recomendações estão reforço da higiene das mãos, manutenção dos ambientes ventilados, atualização da vacinação e procura por atendimento médico em caso de febre, dor de garganta ou sintomas gastrointestinais.
A Polícia Civil informou que não localizou registro de ocorrência relacionado ao caso até a publicação das informações.
As autoridades de saúde seguem aguardando os resultados dos exames para tentar esclarecer as causas das mortes e verificar se existe ou não alguma relação entre os casos.