O vereador William Coelho e seu pai, o ex-policial Edson dos Santos Filho, são suspeitos de intermediar a receptação de uma carga de trilhos do Metrô do Rio de Janeiro.
Willian também atuou como secretário municipal de Ciência e Tecnologia do prefeito Eduardo Paes, mas se afastou para cuidar da campanha da mulher.
Edson foi preso hoje (03) em sua casa, portando uma pistola com numeração raspada, ele já tinha uma condenação por tráfico internacional de armas. Por outro lado, seu filho, o vereador William, teve seu gabinete vasculhado pela polícia e um computador foi apreendido durante a busca. A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio (MPRJ) estão investigando o caso.
“No bojo das investigações, constatou-se indícios de que o vereador Coelho e seu pai integrassem essa organização criminosa e pudessem estar desviando trilhos do Metrô Rio pra encaminhar pra receptadores no estado de São Paulo”, explicou o delegado João Valentim.
A polícia chegou até eles através de mais uma etapa de investigação da Operação Resina, que investiga integrantes de uma organização criminosa especializada em furto de cargas de caminhões, tais como: aço, ferro e outros materiais valiosos.
“Hoje, no gabinete, nós tivemos a apreensão do computador do vereador e vai ser submetido também à perícia, justamente por esse envolvimento. Inclusive, na prisão do seu próprio pai, nós verificamos que no seu passado pregresso já havia também essa questão de tráfico de armas, ou seja, denotando uma efetiva participação nesse tipo de crime”, declarou a delegada Juliana Emerique.
Entre os cinco presos na operação, além de Edson, está o empresário Christiano Burti Gianetti, que foi encontrado em Piracicaba, no interior de SP. Ele será trazido para o Rio.
“Durante a investigação, surgiu a notícia de que o Edson e o Willian estariam envolvidos num furto de trilhos do Metrô Rio. E o Cristiano, em contato com o Marcus Vinicius, que é um outro denunciado, estariam acertando o comprador em São Paulo. E que já teriam dois compradores para o trilho furtado aqui do Rio de Janeiro”, falou o promotor Rogério Sá, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ).
As suspeitas surgiram através de mensagens que foram interceptadas por um celular apreendido em uma das fases anteriores da Operação Resina, nela nota-se que Christiano Burti Gianetti e Marcus Vinicius Lima de Souza, falam sobre a negociação dos trilhos.
Marcus Vinicius: “Fala meu amigo, beleza? Bom dia. Cara, tu tem algum contato aí que trabalhe com compra de trilho de trem? Porque assim, é um lote bom pra c***. É do metrô aqui do Rio, aí deve ter aproximadamente assim, é muito. Tá na mão de um amigo meu, entendeu? Tu tem algum conhecimento aí que arremata isso? Trilho de trem do metrô aqui do Rio de Janeiro. Tem uns trâmitezinhos políticos aí, mas dá pra gente tirar, se tiver encaixe certo, a pessoa certa dá pra gente tirar. Com nota, tudo direitinho.”
Christiano Giannetti: “Velho, tem sim, tem uns dois caras fortes pra abraçar tudo. Precisa saber a quantidade, mil toneladas, duas mil? Precisava de foto, precisava saber qual é o trilho e se tiver esquema, cara, vamos abraçar tudo isso aí sim.”
De acordo com informações dadas pelos promotores, Christiano Giannetti não era formalmente sócio de Marcus Vinicius, porém participava com ele nas empreitadas criminosas e era encarregado de manter contato com os receptores finais, excepcionalmente no estado de São Paulo.
Segundo a polícia, o esquema utilizado pelos criminosos era anunciar um serviço de frete em plataformas na internet e assim escolher os alvos. Eles selecionavam as cargas valiosas e ofereciam o serviço. Quando eram contratados pelas empresas, eles desviavam o carregamento para os receptores. Em seguida, o motorista contratado, se dirigia a uma delegacia e registrava a ocorrência do roubo, assim, os criminosos lucravam com a venda do material e com o dinheiro recebido do seguro dos caminhões e das cargas.
Foram apreendidos pelos agentes, ainda pela manhã, três caminhões, em Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, além da Land Rover de Marcus Vinicius, que também foi levada.
Dois policiais civis estão entre as 21 pessoas denunciadas à justiça, Rodrigo Lacontini e Gilberto Donizete Pires, que são agentes da Polícia Civil de São Paulo. A investigação aponta, que eles teriam falsificado registros de roubos e furtos de cargas para os comparsas.
A polícia afirma que a próxima etapa da investigação é ir de encontro com as redes de empresas e pessoas que adquiriram o material furtado.
Mandados
Agentes do Gaeco/MPRJ e da Polícia Civil saíram para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresários, proprietários de caminhões, motoristas e intermediários.
Foram encontrados pelos agentes, em um dos endereços de SP, R$15 mil em espécie e R$300 mil em cheques. Duque de Caxias, Piraí, Mesquita, Nova Iguaçu e cidades paulistas de Piracicaba, Ribeirão Pires, Guarulhos e São Paulo são onde a operação cumpre os mandados.
Nas investigações anteriores da operação, o celular de um dos suspeitos foi apreendido, nele havia conversas entre o dono e Edson, pai do vereador William Coelho, que demonstrava a existência de pagamentos de despesas e aluguéis referentes a caminhões e retroescavadeiras utilizadas em obras públicas.
As investigações apontam que os criminosos furtavam caminhões e se organizavam para distribuir a carga.
Segundo a polícia, mais de R$ 1,16 milhão em materiais como aço, resina, telas de aço e tubos de dragagem de ferro foi furtado pelos criminosos.