A cientista Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, referência nacional nas pesquisas sobre regeneração do sistema nervoso, será agraciada com o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro. A homenagem foi proposta pelo presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Guilherme Delaroli (PL), e deve ser aprovada em plenário nos próximos dias.
Professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1995, Tatiana chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, no Instituto de Ciências Biomédicas. Com formação sólida — graduação, mestrado em Biofísica e doutorado em Ciências pela própria UFRJ —, a pesquisadora também realizou pós-doutorado em instituições nos Estados Unidos e na Alemanha. Há mais de 25 anos, dedica-se ao estudo de como proteínas podem modular o comportamento celular para restaurar conexões nervosas danificadas.
Foi dessa trajetória que surgiu a polilaminina, molécula derivada da laminina — proteína naturalmente presente no organismo — e desenvolvida em pesquisa liderada por Tatiana. A substância desponta como alternativa promissora no tratamento de lesões medulares, historicamente classificadas como irreversíveis.
O caso de Bruno Drummond, vítima de um acidente de trânsito que ficou tetraplégico, tornou-se símbolo do potencial da pesquisa. Após participar do protocolo experimental, ele voltou a andar e recuperou movimentos e sensibilidade, resultado que repercutiu no meio científico e fora dele.
Ao justificar a homenagem, Delaroli destacou o impacto social do trabalho da pesquisadora. Segundo o parlamentar, a ciência conduzida por Tatiana representa uma mudança de paradigma para pacientes que antes não tinham perspectiva de recuperação. “Existem pessoas que transformam o mundo longe dos holofotes, dedicando décadas a uma missão que muitos consideravam impossível”, afirmou.
Para o deputado, os resultados já observados configuram um marco histórico na medicina regenerativa. Ele ressaltou ainda que a cientista “não apenas desenvolveu uma molécula, mas devolveu dignidade e autonomia a pessoas que haviam perdido os movimentos”.
Apesar do entusiasmo, a própria pesquisadora adota postura cautelosa. Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da Fase 1 dos testes clínicos em humanos, etapa destinada a avaliar a segurança da polilaminina. Especialistas lembram que o tratamento ainda é experimental e que sua eficácia definitiva dependerá da conclusão de todas as fases de estudos clínicos.
A homenagem proposta pela Alerj reconhece não apenas uma descoberta científica, mas também a persistência de uma trajetória construída na universidade pública. Em meio a desafios estruturais e orçamentários, a pesquisa conduzida por Tatiana reforça o papel estratégico da ciência brasileira na produção de conhecimento e inovação em saúde.