A Justiça marcou para o próximo dia 23 de março a primeira audiência de instrução do processo que apura o assassinato brutal de um casal em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. O principal acusado é o mecânico Adelmo da Silva dos Santos, conhecido como “Delminho Mecânico”, que irá sentar no banco dos réus quatro meses após o crime.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público pela morte de Fernanda Souza Silva Siqueira, de 26 anos, e Lenon Batista Siqueira, de 35, assassinados no dia 16 de novembro de 2025, na região de Muriqui, em Itaboraí. Segundo as investigações da Polícia Civil, o crime teria sido motivado por um desentendimento relacionado a uma negociação de veículos entre o mecânico e as vítimas.
De acordo com os investigadores, Adelmo teria armado uma emboscada para atrair o casal. Fernanda e Lenon saíram da cidade de Rio Bonito para encontrar o mecânico e tentar desfazer o negócio, já que o acordo não vinha sendo cumprido. Ao chegar ao local, eles teriam sido levados para uma área de mata próxima à residência do suspeito, onde foram atacados e mortos.
Após o assassinato, os corpos das vítimas foram esquartejados, queimados e enterrados no terreno onde Adelmo morava. Durante a investigação, o mecânico confessou o crime aos policiais e acabou preso. Os restos mortais do casal foram localizados dois dias depois, em uma área de difícil acesso, após escavações realizadas com apoio do Corpo de Bombeiros.
A audiência acontecerá na 1ª Vara Criminal do Fórum de Itaboraí, onde Adelmo responde por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Os pais dele, Adelson Elói dos Santos e Leila Lopes dos Santos, também foram denunciados pelo Ministério Público pelo crime de ocultação de cadáver, sob a acusação de terem ajudado a esconder os corpos após o assassinato.
Para a sessão, são esperadas 12 testemunhas de acusação, que devem ser ouvidas durante a audiência.
Durante o andamento das investigações, outras duas mulheres chegaram a ser presas. Uma delas responde em liberdade por fraude processual. Outra suspeita, parente de Adelmo, foi detida em uma operação realizada em Rio Bonito, após trabalho de inteligência da 119ª DP. Segundo a polícia, ela teria colaborado na emboscada contra o casal e participado da ocultação dos corpos.
Apesar das prisões, apenas Adelmo e seus pais foram formalmente denunciados pelo Ministério Público até o momento.
Relembre o caso
Ao longo das investigações, cinco pessoas chegaram a ser presas. Adelmo se apresentou à Polícia Civil no dia 18 de novembro, na 71ª DP (Itaboraí), acompanhado de seu advogado.
Cinco dias depois, diante do avanço das apurações, seus pais também se apresentaram na mesma delegacia. Em seguida, foram encaminhados para a 73ª DP (Neves), onde tiveram os mandados de prisão cumpridos.
A audiência de instrução marcada para março representa a primeira etapa do processo criminal, quando são analisadas as provas e ouvidas as testemunhas, antes de uma decisão judicial sobre o caso.