A rede de supermercados Carrefour anunciou a demissão de 2,2 mil funcionários, representando 1,5% de sua força de trabalho total, composta por 130 mil colaboradores entre diretos e indiretos. A medida foi divulgada nesta semana pelo jornal Folha de S. Paulo e ocorre em um momento tradicionalmente marcado por contratações no setor varejista devido ao aumento da demanda de fim de ano.
Em nota, a empresa declarou que as demissões fazem parte de um “movimento natural no setor varejista” e garantiu que a decisão não afetará o atendimento aos clientes ou as operações durante o período natalino. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a expectativa é de um aumento de 12% no consumo neste Natal em comparação ao mesmo período de 2023, um cenário que contrasta com a decisão da empresa.
Contratações em paralelo
Apesar do corte, o Carrefour ressaltou que, em outubro deste ano, anunciou a abertura de 6 mil vagas em diferentes estados brasileiros e no Distrito Federal. Essas oportunidades, que ainda estão sendo preenchidas, incluem posições como operador de caixa, repositor, técnico de manutenção e frentista.
“Qualquer processo de contratação ou demissão no setor de varejo, caracterizado por uma alta rotatividade, acontece cotidianamente e não afeta, em nenhum momento, as operações da companhia e o atendimento aos nossos clientes”, afirmou a empresa em comunicado.
Contexto de crise e reestruturação
As demissões ocorrem em um momento delicado para o Carrefour, que recentemente enfrentou uma crise diplomática após o presidente global da rede, Alexandre Bompard, anunciar que a empresa deixaria de comprar carne de países do Mercosul, incluindo o Brasil, em apoio aos agricultores franceses. A declaração provocou reações de frigoríficos brasileiros e resultou em um pedido de desculpas do CEO ao governo brasileiro.