A jovem Alana Anísio Rosa, de 20 anos, continua internada em um hospital particular de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, após sobreviver a um ataque em que foi atingida por cerca de 15 facadas. Depois de dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), período em que chegou a permanecer em coma, ela já está em um quarto e, neste domingo, conseguiu relatar aos pais os detalhes da noite de 6 de janeiro.
Segundo publicação feita pela mãe, Jaderluce Anísio de Oliveira, nas redes sociais, a filha recorda com clareza tudo o que aconteceu. O suspeito do crime, Luiz Felipe Sampaio, está preso.
De acordo com o relato da mãe, Alana havia acabado de retornar da academia quando foi surpreendida dentro de casa, no bairro Galo Branco. O agressor teria pulado o muro e iniciado as agressões assim que ela entrou no imóvel.
“Ela disse que ele chutou muito a cabeça dela e a jogou no chão”, contou Jaderluce. Após as agressões físicas, o homem teria começado a desferir golpes de faca.
Um dos pontos que mais chamou a atenção da família foi o fato de o suspeito, segundo o relato da vítima, ter usado luvas durante o ataque. Para a mãe, isso reforça a hipótese de que o crime foi planejado. “Se ele usou luvas, era porque não queria deixar impressões digitais. Foi tudo premeditado”, afirmou.
Jaderluce relatou ainda que chegou em casa mais cedo naquele dia, o que pode ter impedido consequências ainda mais graves. Ao perceber a presença da mãe, o agressor fugiu. Ele foi localizado posteriormente por policiais militares do 1º BPM (Venda da Cruz) e encaminhado à 73ª DP (Neves), onde foi autuado por tentativa de feminicídio. O acusado permanece preso.
Alana sofreu cortes no rosto, no pescoço e nos ombros, além de lesões nas mãos, provavelmente ao tentar se defender. Apesar do trauma, segundo a mãe, a jovem demonstra força e desejo de retomar a rotina. “Ela está ansiosa para voltar a estudar. Perguntou quando poderá voltar”, contou.
Pedido recusado
De acordo com a família, Alana e o suspeito nunca tiveram um relacionamento. Morador do mesmo bairro, ele teria começado a seguir a jovem nas redes sociais após vê-la na academia e declarado estar apaixonado.
Ainda segundo Jaderluce, o homem enviava buquês de flores e chocolates com bilhetes assinados como “admirador secreto” e frases como “a menina mais bonita de São Gonçalo”. Em dezembro do ano passado, ele teria se identificado e pedido a jovem em namoro. Alana recusou, afirmando estar focada nos estudos.
Pouco mais de um mês depois, o caso culminou no ataque que quase tirou a vida da estudante. Enquanto se recupera fisicamente, a jovem agora enfrenta o processo de reconstrução emocional, cercada pelo apoio da família e à espera de justiça.