Mensagens extraídas de conversas de celular revelaram novas denúncias envolvendo o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, preso sob acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, em São Paulo.
Os prints de WhatsApp apontam que o oficial assediou durante cerca de oito meses uma policial subordinada da corporação. As conversas, que fazem parte de uma denúncia apresentada à Corregedoria da PM, incluem acusações de assédio sexual e moral, perseguição, ameaça e coação.
Em uma das mensagens enviadas à soldado Rariane Generoso, o tenente-coronel pergunta: “Quer namorar comigo?”. Em outro trecho, ele afirma: “Não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso nessa sua boca deliciosa”.
Segundo a denúncia, as investidas começaram em junho de 2025 e seguiram até março deste ano, inclusive após a morte de Gisele Alves, ocorrida em fevereiro. O casal tinha uma filha de 7 anos.
As mensagens mostram ainda que o oficial utilizava referências religiosas ao falar com a subordinada. Em uma conversa, ele escreveu: “Sabe quando isso vai acabar? Quando a gente se casar e ter um filho bem lindo e saudável abençoado por Deus”. Em outra, afirmou: “Gosto muito de você e continuo a falar com Deus sobre você em minhas orações”.
A policial, no entanto, respondia de forma direta e demonstrava desconforto com a situação. “Não vamos ter nada”, escreveu em uma das respostas. Em outro momento, pediu: “Vamos manter o profissionalismo, por favor”. Ela também relatou o impacto emocional causado pelas acusações e rumores dentro da corporação: “Nunca tivemos nada e ver meu nome associado como amante tá me deixando muito doente”.
De acordo com a denúncia apresentada à Corregedoria, o oficial teria ido até o condomínio onde a soldado mora levando flores. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele deixa a portaria do prédio. Depois, ele enviou mensagens dizendo que havia localizado o endereço dela: “Achei bom aí a rua do seu prédio e também a própria estrutura do condomínio onde você mora”.

Ainda segundo o relato, o tenente-coronel teria usado a posição hierárquica para tentar se aproximar da policial, sugerindo mudanças de função dentro da corporação e ameaçando transferências após recusas. A soldado afirma que passou a evitar escalas em que ele estivesse presente por medo.
O advogado da policial entregou as denúncias à Corregedoria da Polícia Militar, que agora apura administrativamente a conduta do oficial. Já a defesa do tenente-coronel informou que não tinha conhecimento das acusações de assédio.
Além das denúncias envolvendo a subordinada, Geraldo Neto responde na Justiça pela morte da esposa. Segundo o Ministério Público, o oficial matou Gisele Alves dentro do apartamento do casal, na região do Brás, após não aceitar a separação motivada por supostas traições.
O tenente-coronel virou réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual. A investigação aponta que ele teria alterado a cena do crime para simular um suicídio. A defesa sustenta que a policial tirou a própria vida e afirma que o oficial é inocente.
A Corregedoria também investiga se o militar tentou intimidar policiais que atenderam a ocorrência usando sua posição de superioridade dentro da corporação.