A sessão do julgamento de Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Jairinho, foi marcada por momentos de forte emoção na manhã desta sexta-feira (29), no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio de Janeiro. Ré pela morte do filho Henry Borel, de 4 anos, Monique precisou receber atendimento médico após passar mal durante a audiência.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a ré foi socorrida por uma equipe de saúde que já estava de prontidão no local. O mal-estar ocorreu enquanto eram exibidas imagens do corpo da criança durante o depoimento do médico legista aposentado e perito Luiz Carlos Leal Prestes. Apesar do atendimento solicitado pela defesa, o julgamento prosseguiu normalmente e não precisou ser interrompido.
Em seu depoimento, o perito detalhou as lesões encontradas no corpo de Henry e voltou a contestar uma das principais teses apresentadas pela defesa dos réus. Segundo Prestes, a laceração identificada no fígado da criança não foi provocada por procedimentos de reanimação realizados no hospital, mas ocorreu quando o menino ainda estava vivo.
O especialista afirmou que a análise pericial apontou um quadro de agressões múltiplas e destacou que a hemorragia interna constatada só poderia ter acontecido com a circulação sanguínea em funcionamento. Para ele, as evidências demonstram que as lesões foram causadas antes da morte.
Durante o júri, Prestes reforçou ainda que a quantidade e a distribuição dos ferimentos em diferentes partes do corpo levaram os peritos à conclusão de que Henry foi vítima de agressões físicas. O médico também reiterou que não existe relação entre os danos identificados no fígado e as manobras cardíacas realizadas na tentativa de salvar a criança.
Monique Medeiros e Jairinho são julgados pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021. O caso teve grande repercussão nacional e segue sendo acompanhado de perto por familiares da vítima, representantes da acusação e da defesa, além da sociedade civil.