Duas mortes registradas em menos de 15 dias em trilhas de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, chamaram atenção para os cuidados necessários durante atividades em áreas naturais. Os acidentes ocorreram em junho, em dois dos pontos turísticos mais conhecidos do município: a Gruta do Spar e a Pedra do Macaco.
No dia 14 de junho, Rosemary Suzart Garcia, de 59 anos, morreu após cair do alto da Gruta do Spar, onde participaria de uma atividade de rapel. Segundo testemunhas, ela teria escorregado enquanto passava repelente próximo ao ponto de ancoragem e acabou caindo de uma altura aproximada de 30 metros.
Os casos reacenderam o debate sobre a importância da segurança em trilhas, especialmente em locais com trechos íngremes, áreas expostas, pedras, desníveis e pontos usados para fotos. Para o guia de turismo e instrutor de cursos de liderança em ambientes naturais Anderson Montanha, os acidentes recentes mostram que a atenção precisa ser mantida durante toda a atividade, inclusive no momento de chegada ao atrativo.
“A gente tem percebido bastante isso nos acidentes dos últimos meses. Existe uma preocupação no início da trilha, com as orientações e os cuidados. Mas quando chega ao atrativo final, parece haver um bloqueio, uma espécie de relaxamento. Surge aquela vontade de fazer uma foto impactante para as redes sociais e a segurança deixa de estar em primeiro lugar”, alertou Anderson.
Atualmente, Montanha coordena a criação da Travessia Mico-Leão-Dourado, uma Trilha de Longo Curso em implantação na Bacia do Rio São João, no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, a Pedra do Macaco, apesar de ser considerada uma trilha curta e sem grande exigência técnica, apresenta pontos de risco por causa da exposição.
“Apesar de ser uma trilha íngreme, ela pode ser feita em cerca de uma hora. O problema é que é uma área muito exposta. Nas imagens desse último acidente, o que se percebe é uma fatalidade somada a um possível excesso de confiança. Na descida, foi utilizado justamente o lado mais exposto da pedra”, explicou.
O guia destaca que áreas naturais têm sido cada vez mais procuradas por visitantes, o que exige maior conscientização sobre os riscos. Para ele, mesmo pessoas experientes devem manter atenção constante, principalmente em locais com altura, rochas ou desníveis.
“Nós, enquanto espécie, precisamos dessas áreas naturais. Quando estamos em ambientes com altura, rochas ou desníveis, qualquer distração pode ter consequências graves. Mesmo com experiência, os riscos existem e precisam ser gerenciados o tempo todo”, pontuou.
Montanha também reforça que a contratação de profissionais capacitados pode reduzir riscos, embora não elimine completamente a possibilidade de acidentes.
“A gente fica muito triste com mais esse acidente e espero que as pessoas tenham mais cuidado, contratem guias profissionais. Mesmo com guias profissionais pode ocorrer acidente, mas a gente consegue, através de protocolos e etapas de segurança, minimizar esses riscos e esses impactos que têm acontecido nos últimos meses nas nossas áreas naturais”, afirmou.
Entre as principais recomendações para quem pretende fazer trilhas estão verificar a previsão do tempo, conhecer os possíveis animais encontrados na região, respeitar os próprios limites, informar familiares ou amigos sobre o local da atividade e o horário previsto de retorno, além de iniciar o percurso cedo para evitar a volta após o pôr do sol.
Também é importante usar roupas e equipamentos adequados, levar lanterna de cabeça com pilhas novas, carregar água e alimentação suficientes para o tempo de caminhada e manter uma reserva extra de água. Outra orientação é levar um kit básico de primeiros socorros, com ataduras, antisséptico, esparadrapo, manta térmica e medicamentos de uso comum.
Os acidentes em Maricá reforçam que o contato com a natureza deve ser acompanhado de responsabilidade, planejamento e atenção permanente. Em áreas de risco, a busca por uma boa imagem ou a sensação de confiança não devem se sobrepor às medidas de segurança.