A morte da estudante de Direito Bianca da Silva Martins, dias após o nascimento de seu terceiro filho, tem gerado forte comoção e levantado questionamentos sobre o atendimento prestado na Maternidade Municipal Dr. Mário Niajar, em São Gonçalo. Familiares e testemunhas denunciam possíveis falhas e pedem a apuração do caso.
Bianca deu entrada na unidade no dia 30 de março, onde realizou o parto. Segundo relatos de pessoas que estavam internadas no mesmo período, a jovem já apresentava sinais de mal-estar logo após o nascimento do bebê, com queixas de dor de cabeça, fraqueza e dificuldade até para se levantar.
No dia seguinte, as dores teriam continuado e se intensificado. Testemunhas afirmam que Bianca passou a reclamar de fortes dores abdominais ao longo do dia, até que seu quadro se agravou com uma hemorragia ainda dentro da unidade.
Relatos descrevem momentos de tensão. Uma testemunha afirmou que a jovem começou a sangrar intensamente após já ter passado o dia reclamando de dor sem atendimento adequado. Outra pessoa relatou que Bianca chegou a ser colocada em condições precárias durante o atendimento, enquanto apresentava sinais de agravamento.
Após o episódio, a estudante recebeu transfusão de sangue e permaneceu internada até o dia 2 de abril, quando recebeu alta médica.
No entanto, no dia 5 de abril, já em casa, Bianca voltou a passar mal e sofreu uma nova hemorragia. Ela foi levada novamente para atendimento na unidade, mas, segundo familiares, houve demora na transferência para o pronto-socorro.
Diante da gravidade do quadro, a jovem foi submetida a uma histerectomia, cirurgia para retirada do útero, na tentativa de conter o sangramento. De acordo com relatos, seu estado era crítico, com pressão extremamente baixa.
Mesmo com os procedimentos, Bianca sofreu paradas cardíacas e não resistiu, vindo a falecer na noite do dia 6 de abril.
Familiares contestam a condução do caso e afirmam que a alta médica foi concedida de forma indevida, além de questionarem a demora no atendimento e a falta de respostas claras sobre o quadro clínico da jovem.
Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo informou que o parto ocorreu sem intercorrências e que a hemorragia pós-parto foi identificada e tratada. Ainda segundo o município, após retornar à unidade dias depois, a paciente foi reavaliada, internada e transferida, passando por todos os procedimentos necessários. Apesar disso, ela sofreu três paradas cardíacas e não resistiu.
A Secretaria de Saúde afirmou que o caso está sendo analisado pelo Comitê de Óbitos Maternos, que irá apurar todas as circunstâncias do atendimento.
Enquanto isso, familiares seguem cobrando justiça e respostas sobre o que realmente aconteceu nos dias que antecederam a morte da estudante.