O corpo do pedreiro Marcelo da Cruz Silva, morto durante uma operação da Polícia Militar no Jardim Catarina, em São Gonçalo, foi sepultado na tarde desta quinta-feira (28) no Cemitério São Miguel. O enterro reuniu cerca de 150 pessoas, entre familiares, amigos e moradores da região, que acompanharam o cortejo marcado por emoção, tristeza e homenagens.
Durante a cerimônia, a esposa de Marcelo, Carol, falou com emoção sobre a trajetória do marido e destacou o reconhecimento que ele conquistou ao longo da vida por meio do trabalho. Segundo ela, a grande presença de pessoas no velório e no enterro demonstrava o respeito e o carinho que Marcelo havia construído na comunidade.
Abalada, Carol precisou ser amparada por amigos em diversos momentos ao lado do caixão. Ela também relatou a dor de ter que comunicar a morte ao filho de Marcelo, de apenas 8 anos, e lamentou a ausência que o pai deixará na vida da criança.
A esposa lembrou ainda que Marcelo seguia uma tradição familiar ligada à construção civil. Filho de pedreiro, ele havia aprendido o ofício com o pai e já começava a transmitir os ensinamentos ao próprio filho. Em meio ao sofrimento, questionou quem assumirá agora o papel de orientar e acompanhar o menino em seu crescimento.
Por conta da grande comoção provocada pelo caso, equipes da Polícia Militar e da Guarda Municipal reforçaram a segurança no cemitério e nos arredores durante o sepultamento. Apesar da movimentação intensa, a cerimônia ocorreu sem registros de tumultos.
Marcelo da Cruz Silva foi baleado junto com Edivan Felipe de Assis, de 46 anos, quando os dois seguiam para um trabalho. De acordo com testemunhas, policiais militares teriam confundido as ferramentas transportadas pelos trabalhadores com armas e efetuado os disparos.
O corpo de Edivan Felipe de Assis será enterrado nesta sexta-feira (29), às 14h30, também no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.