A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de acabar com o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais tem gerado debates entre passageiros. A medida, que inicialmente entraria em vigor nesta sexta-feira (29), foi adiada e passará a valer a partir de 28 de junho. Com a mudança, os usuários dos coletivos só poderão pagar as passagens por meio de Pix, cartão de débito ou crédito.
A proposta tem como objetivo modernizar o sistema de transporte e reduzir a circulação de dinheiro nos ônibus. No entanto, muitos passageiros demonstram preocupação com os impactos da mudança, principalmente para idosos e pessoas com pouca familiaridade com ferramentas digitais.
Em Niterói, usuários do transporte público comentaram sobre os desafios e benefícios da nova forma de pagamento. A vendedora de planos de saúde Isabela, de 23 anos, acredita que a novidade acompanha os hábitos das gerações mais jovens, mas pode criar dificuldades para parte da população.
Segundo ela, muitas pessoas mais velhas ainda utilizam exclusivamente dinheiro em espécie no dia a dia. Como exemplo, citou o próprio pai, que não costuma usar Pix e teria de recorrer aos cartões para continuar utilizando o transporte público.
O metalúrgico Jorge Ribeiro, de 76 anos, também criticou a medida. Para ele, a dependência da tecnologia pode acabar excluindo quem não tem acesso ou conhecimento suficiente para utilizar aplicativos e meios digitais de pagamento. Jorge defende a manutenção do dinheiro como opção ou a criação de alternativas mais acessíveis para os idosos.
A preocupação com a dependência da internet também foi levantada por usuários. Élida relatou que recentemente enfrentou problemas de conexão e ficou impossibilitada de realizar uma recarga eletrônica. Sem acesso ao serviço, precisou aguardar a abertura de um estabelecimento para utilizar um terminal de recarga, o que acabou provocando atraso em seu compromisso profissional.
Já o aposentado Valdir Maciel, de 79 anos, questionou como será a adaptação das pessoas que não utilizam Pix. Apesar das críticas, ele reconhece que a retirada do dinheiro de circulação nos ônibus pode contribuir para aumentar a segurança e reduzir os casos de assaltos nos coletivos.
A mudança integra um processo de digitalização dos meios de pagamento no transporte público da capital fluminense e deve impactar milhares de passageiros que utilizam diariamente os ônibus municipais.