A MChecon Design e Cenografia, empresa do empresário Marcelo Checon, ampliou significativamente sua atuação junto ao governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde 2023, a companhia firmou 13 contratos com órgãos do Executivo que somam R$ 63,4 milhões. Segundo levantamento publicado pelo Metrópoles, os pagamentos relacionados a esses contratos já chegaram a R$ 84,2 milhões.
Checon mantém relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O nome do empresário também aparece em uma conversa recuperada pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger.
Em áudio enviado ao empresário Cléber Ribas em agosto de 2025, Luchsinger relata que teria informado Lulinha de que não poderia mais continuar pagando suas passagens aéreas. Segundo ela, o filho do presidente respondeu que passaria a pedir ajuda a Ribas e a Checon. A conversa faz parte do material obtido pela PF e foi inicialmente revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmada pelo Metrópoles.
Luchsinger também afirmou na mensagem que os gastos mensais para manter uma residência relacionada a Lulinha chegavam a aproximadamente R$ 100 mil. Naquela época, Fábio Luís já havia se mudado para Madri, na Espanha. O conteúdo reproduz o relato da lobista e, por si só, não demonstra que Checon tenha efetivamente custeado despesas do filho do presidente.
Contratos cresceram a partir de 2023
Antes do retorno de Lula à Presidência, a MChecon tinha apenas um contrato identificado com o governo federal, no valor de aproximadamente R$ 197 mil, firmado em maio de 2022 com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE.
Após janeiro de 2023, foram celebrados outros 13 contratos com órgãos federais, somando R$ 63.406.954,74. A empresa, fundada em 2012, atua principalmente na produção de eventos, cenografia, montagem de estruturas e serviços relacionados.
Entre os principais contratantes estão os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Turismo, Cultura e Desenvolvimento e Assistência Social. Também aparecem contratos com o Ministério da Educação, Funarte, Ministério do Trabalho, Ministério da Fazenda e Presidência da República.
A companhia esteve ainda envolvida em projetos de grande visibilidade, como a produção da Casa Brasil, em Belém, durante a COP30, e da Casa Brasil em Paris, durante os Jogos Olímpicos de 2024.
Primeiro grande contrato foi questionado no TCU
O primeiro contrato de maior porte citado pelo Poder360 foi celebrado durante o atual governo Lula. A MChecon venceu um pregão relacionado à realização de eventos do Ministério da Cultura.
Uma concorrente derrotada questionou o processo no Tribunal de Contas da União e apontou supostas irregularidades, além de alegar falta de experiência da empresa vencedora e possível prejuízo milionário.
O TCU acolheu parcialmente argumentos apresentados no processo, mas não anulou o pregão. A Corte manteve a contratação e recomendou que o governo adotasse medidas para evitar problemas semelhantes em futuras licitações.
Depois dessa contratação, a empresa passou a prestar serviços para diferentes órgãos federais por meio das estruturas contratuais disponíveis na administração pública.
39 registros de entrada no Palácio do Planalto
Outro dado que chama atenção é a frequência de Marcelo Checon no Palácio do Planalto.
Segundo informações do Gabinete de Segurança Institucional citadas pelo Poder360, foram identificados 39 registros de entrada do empresário entre 2023 e 2025. Algumas ocorreram no mesmo dia.
No mesmo período, Lulinha teve 14 entradas registradas no prédio. Em duas ocasiões, os registros dos dois ocorreram na mesma data. Dados do GSI indicam ainda coincidências de visitas envolvendo Roberta Luchsinger.
O próprio GSI ressalva, entretanto, que os registros de acesso não permitem determinar para qual setor ou pessoa cada visitante se dirigiu dentro do Palácio do Planalto. Portanto, a coincidência das datas não comprova que tenham ocorrido encontros entre eles.
Amizade e viagens
Segundo as informações publicadas, Checon e Lulinha teriam se conhecido em 2023, por intermédio de Fernando Bittar, empresário que já foi sócio do filho do presidente.
A relação se estreitou e os dois passaram a se encontrar em Brasília e São Paulo. Em 2024, estiveram juntos em Portugal durante o Rock in Rio Lisboa. Checon também teria visitado Lulinha em Madri.
Em 2025, ambos viajaram para Japão e China em período coincidente com uma visita oficial do presidente Lula aos dois países. A coincidência das viagens, isoladamente, não comprova participação do empresário na comitiva presidencial nem irregularidade.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva confirmou publicamente a amizade com Marcelo Checon, mas rejeitou qualquer associação da relação pessoal com práticas ilegais.
Os advogados sustentam que a amizade é pública e afirmam que o áudio citado nas reportagens teria caráter jocoso, além de fazer parte de material preliminar de investigação ainda sujeito a verificação e contraditório.